Uma equipe pode atender rapidamente e ainda demorar para restabelecer o equipamento. Entre a chegada do técnico e a retomada da operação, cabem diagnóstico, espera por material, outra visita e confirmação da solução. Medir apenas a presença em campo responde a outra pergunta.
O que é MTTR e qual intervalo considerar
MTTR significa Mean Time to Repair, ou tempo médio de reparo. A sigla aparece em materiais de manutenção com abrangências diferentes: alguns enfatizam a intervenção; outros incluem etapas até a recuperação. Essa variação pode ser observada nos guias da Abecom e da Fracttal. Essas referências descrevem abordagens de fornecedores; não estabelecem uma regra normativa.
Neste guia, adotaremos uma convenção gerencial explícita: medir o intervalo decorrido entre a identificação registrada da indisponibilidade e o restabelecimento confirmado do equipamento. As esperas dentro desse intervalo entram na duração. O tempo de intervenção ativa fica registrado separadamente.
Se a falha começou antes de ser identificada e esse horário é desconhecido, o indicador não representa toda a parada real. Declare essa limitação. Também não trate a abertura administrativa do chamado como início físico da falha sem conferir se os momentos coincidem.
Para climatização, defina previamente o que caracteriza o retorno à função requerida, conforme o equipamento e o contexto. Encerrar uma visita não basta para demonstrar restabelecimento. Este artigo orienta a medição gerencial, sem definir procedimentos técnicos de reparo ou critérios universais de teste.
Fórmula do MTTR e preparação dos dados
MTTR = soma das durações dos eventos elegíveis ÷ quantidade desses mesmos eventos.
Para cada evento, nesta convenção: duração decorrida = data e hora do restabelecimento − data e hora da identificação da indisponibilidade.
O numerador reúne as durações completas; o denominador conta os eventos correspondentes. Se os tempos estão em horas, o resultado será expresso em horas por evento. Não divida a duração de quatro ocorrências pelo número de visitas ou de técnicos envolvidos.
A fórmula calcula uma média histórica. Não determina o prazo da próxima solução, não mede a habilidade individual do executor e não demonstra, sozinha, confiabilidade ou disponibilidade. Com nenhum evento elegível, a divisão não existe: apresente “sem eventos concluídos elegíveis”, em vez de zero.
Antes de extrair os dados, preencha esta ficha de medição. Ela pode acompanhar uma planilha ou o relatório do período.
| Definição | O que registrar |
|---|---|
| Objeto | Equipamento identificado por código ou TAG |
| População | Falhas que causaram indisponibilidade, separadas de preventivas |
| Período | Datas inicial e final, com horário de corte |
| Inclusão | Eventos restabelecidos no período, conforme política abaixo |
| Marco inicial | Identificação registrada da indisponibilidade |
| Marco final | Restabelecimento confirmado, com evidência pertinente |
| Unidade | Horas decorridas, mantendo minutos na origem |
| Limitações | Horários ausentes, estimativas e eventos excluídos |
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Evite juntar bombas, aparelhos de ar-condicionado e equipamentos de funções distintas em uma única média para comparar desempenho. Um consolidado pode apoiar uma visão geral, mas precisa preservar os recortes que explicam o resultado.
Campos mínimos de cada evento
Mantenha identificador único, equipamento, descrição da perda de função, identificação registrada da indisponibilidade, restabelecimento e situação atual. Acrescente visitas, intervalos de execução, executores, esperas com motivo e evidência da solução.
Uma ocorrência pode reunir várias correções e documentos. Para a medição, esses registros precisam apontar para o mesmo evento de falha. O modelo de ordem de serviço de manutenção ajuda a estruturar o registro do serviço; a relação entre OS e evento deve permanecer explícita.
Exemplo fictício: cálculo com espera e duas visitas
Todos os equipamentos, horários e resultados abaixo são fictícios, criados exclusivamente para explicar o método. Considere três falhas de um mesmo equipamento de climatização, identificado como AC-07, restabelecidas em abril. Os horários usam o mesmo fuso.
A tabela pode ser copiada como estrutura inicial. Em uma aplicação real, cada linha precisa permitir recuperar os registros que sustentam seus horários.
| Evento | Indisponibilidade identificada | Restabelecimento confirmado | Registro resumido | Duração decorrida | Horas-pessoa |
|---|---|---|---|---|---|
| E01 | 03/04, 08h | 03/04, 10h | Uma visita; um técnico das 09h às 10h | 2 h | 1 h-pessoa |
| E02 | 12/04, 08h | 13/04, 12h | Duas visitas; espera por material entre elas | 28 h | 3 h-pessoa |
| E03 | 22/04, 14h | 22/04, 18h | Uma visita; dois técnicos das 16h às 18h | 4 h | 4 h-pessoa |
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No E02, um técnico trabalhou das 09h às 10h do primeiro dia e das 10h às 12h do segundo. O equipamento permaneceu indisponível entre as visitas. A duração do evento é 28 horas, embora a execução tenha consumido três horas de um profissional.
O cálculo fica: MTTR = (2 + 28 + 4) ÷ 3 = 11,33 horas por evento, aproximadamente 11 horas e 20 minutos.
As 34 horas do numerador pertencem aos mesmos três eventos do denominador. As duas visitas do E02 não criam duas falhas. A espera também não desaparece porque a equipe saiu do local.
Nesse conjunto, a mediana é quatro horas: ordenando as durações em 2, 4 e 28, esse é o valor central. A média maior evidencia o peso do evento longo. Apresentar ambos ajuda a reconhecer a concentração, mas três eventos ainda oferecem uma base pequena para generalizações.
Horas decorridas e horas-pessoa respondem a perguntas diferentes
Horas-pessoa = soma dos tempos de trabalho de cada profissional. Quando todos trabalham pelo mesmo intervalo, pode-se multiplicar a duração pela quantidade de profissionais. Se os horários diferem, some os apontamentos individuais.
No E03, dois técnicos atuaram simultaneamente durante duas horas: quatro horas-pessoa. O intervalo de execução da equipe foi de duas horas; a indisponibilidade total durou quatro. São três medidas distintas, sem contradição.
No conjunto fictício, o esforço somou oito horas-pessoa. Dividir oito por três produziria esforço médio por evento, não o MTTR definido neste guia. Essa separação evita interpretar uma espera por material como trabalho contínuo da equipe.
Como tratar eventos abertos e mudanças de período
Adote uma política de corte antes de fechar o relatório. A proposta deste guia é incluir eventos restabelecidos no período e usar sua duração completa, mesmo quando começaram antes. Em paralelo, apresente ocorrências ainda abertas e seu tempo decorrido até o corte.
Essa escolha facilita calcular durações completas, mas pode concentrar no mês atual uma falha antiga. Ela também deixa fora da média eventos ainda sem solução. Por isso, média dos concluídos e situação dos abertos devem aparecer juntas.
| Situação | Tratamento no cálculo proposto | Informação que acompanha o resultado |
|---|---|---|
| Começou e terminou no período | Incluir duração completa e um evento | Identificador e horários |
| Começou antes e terminou no período | Incluir duração completa e um evento | Destacar origem anterior ao período |
| Continua aberto no corte | Excluir da média dos concluídos | Quantidade e tempo decorrido até o corte |
| Horário essencial ausente | Separar até regularização | Quantidade excluída e dado faltante |
| Várias visitas sem restabelecimento | Manter um único evento | Visitas, esperas e duração total |
| Nenhum evento concluído elegível | Não calcular a média | Informar ausência de eventos elegíveis |
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Não recorte apenas as horas do mês no numerador e mantenha um evento completo no denominador: isso mudaria a medida. Horas de indisponibilidade dentro de uma janela podem ser úteis para outra análise, com definição própria.
Exemplo fictício: uma falha anterior e outra ainda aberta
Amplie o cenário fictício do AC-07 com dois eventos adicionais. No E04, a indisponibilidade foi identificada em 31/03 às 20h, com restabelecimento em 01/04 às 08h. São 12 horas completas, incluídas em abril porque a solução ocorreu nesse mês. O evento não integra a média dos concluídos de março.
Com o E04 e os três eventos da tabela, o cálculo de abril passa a ser (34 + 12) ÷ 4 = 11,5 horas por evento, ou 11 horas e 30 minutos.
Já o E05 teve indisponibilidade identificada em 30/04 às 18h e continuava aberto no corte de 01/05 às 00h. O relatório apresenta um evento aberto há seis horas, separado da média dos quatro concluídos. Essas seis horas são uma duração parcial: não entram no numerador nem recebem um evento no denominador do MTTR.
Se o E05 for restabelecido em maio, sua duração completa entrará na média de maio pela política adotada. O registro de abril continua mostrando a pendência existente naquele corte.
Retorno provisório e nova falha
Defina como registrar uma retomada que ainda não atende ao critério de restabelecimento. Se houve apenas uma tentativa sem recuperar a função requerida, mantenha o evento aberto. Se houve retorno confirmado e depois outra falha, registre um novo evento e sinalize a recorrência para investigação.
Uma contingência também exige cuidado. No raciocínio fictício deste exemplo, transferir o atendimento para um equipamento reserva pode recuperar o serviço do ambiente enquanto o AC-07 continua indisponível. Registre separadamente a condição do equipamento e a do serviço atendido.
Como interpretar o resultado e escolher uma ação
A primeira pergunta após calcular deve ser: onde o tempo se acumulou? Cobrar rapidez de execução não resolve uma espera por autorização, assim como ampliar estoque não corrige um registro de horário inconsistente.
Use categorias de tempo para investigar os eventos longos. Quando duas atividades ocorrerem em paralelo, não some seus intervalos como se fossem sequenciais. A duração total continua limitada pelos marcos inicial e final.
| O que aparece nos registros | O que investigar | Encaminhamento gerencial possível |
|---|---|---|
| Espera recorrente por acesso | Liberação e janelas disponíveis | Combinar responsável e condição de acesso |
| Espera por material | Especificação, aquisição e disponibilidade | Rever preparação conforme criticidade |
| Diagnóstico retomado em cada visita | Qualidade do histórico e passagem de informação | Melhorar descrição e consulta dos registros |
| Demora após intervenção concluída | Confirmação do retorno e atualização do registro | Distinguir tempo operacional de atraso administrativo |
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Não estabeleça um “MTTR ideal” único para toda a carteira. Compare equipamentos e períodos com função, condições de atendimento e critérios equivalentes. Mostre quantidade de eventos, média, mediana, maior duração e pendências abertas. Uma queda da média com mudança no tipo de falha atendida merece explicação.
Reduzir a quantidade de falhas não garante reduzir a duração média das restantes. Da mesma forma, solucionar muitas ocorrências curtas pode baixar a média sem resolver a ocorrência longa que continua aberta.
MTTR, MTBF e tempo de atendimento
MTTR trata da duração média do reparo, conforme o intervalo declarado. MTBF, tempo médio entre falhas, observa o funcionamento entre falhas. Já tempo de atendimento exige especificar os marcos usados, como recebimento do chamado e início da atuação.
Esses indicadores se complementam. Responder depressa não comprova restabelecimento rápido; reparar depressa não comprova baixa frequência de falhas. O guia de indicadores de manutenção predial amplia essa leitura conjunta.
Checklist antes de apresentar o indicador
| Conferência | Condição para apresentar |
|---|---|
| Mesmo conjunto | Numerador e denominador representam os mesmos eventos |
| Horários consistentes | Datas, fuso e unidade foram conferidos |
| Contagem única | Visitas e correções não duplicam falhas |
| Esperas preservadas | Indisponibilidade não foi confundida com execução |
| Ausências declaradas | Abertos e registros incompletos aparecem separadamente |
| Comparação explicável | Recorte, quantidade e limitações acompanham a média |
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Como acompanhar o MTTR na Leankeep
Na Leankeep, o Aplicativo permite registrar ocorrências e correções do atendimento. O relatório de MTBF, MTTR e Disponibilidade apresenta indicadores por equipamento, conforme habilitação e registros de disponibilidade. A área de Relatórios apoia essa análise.
O fluxo considera abertura e correção solucionada. Quando há aprovação para baixa, a ocorrência aguardando aprovação ainda não é considerada solucionada no relatório; após aprovação, a referência de solução é a data e hora da correção solucionada.
Não presuma que pausar o tempo de execução interrompa a indisponibilidade. Antes de comparar com o cálculo deste guia, confira também o tratamento dos eventos que atravessam períodos: os detalhes de corte precisam ser confirmados para o recorte utilizado.
Agende uma demonstração para conhecer o registro de ocorrências e a análise por equipamento.